Linha do Horizonte
o motivo da paisagem na arte portuguesa contemporânea

No âmbito das Comemorações dos 200 Anos da Chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, inaugura dia 5 de Maio a exposição Linhas do Horizonte, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Uma produção da Direcção-Geral das Artes.

A exposição "Lin
has do Horizonte, o motivo da paisagem na arte portuguesa contemporânea", mostra o trabalho de 25 artistas portugueses no Rio de Janeiro, a partir de 6 de Maio na Caixa Cultural, sob a curadoria de Bernardo Pinto de Almeida.


Artista participantes
Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Álvaro Lapa, Armando Alves, Baltazar Torres, Costa Pinheiro, Cristina Mateus, Cruz Filipe, Domingos Pinho, Edgar Martins, João Queiroz, João Tabarra, Jorge Martins, Julião Sarmento, Manuel Amado, Manuel Casimiro, Mariana Viegas, Mário Cesariny, Mário Pires Cordeiro, Marta Ramos, Nikias Skapinakis, Noronha da Costa, Pedro Calapez, Rita Magalhães, Valdemar Santos.


Sobre "Linha do Horizonte - o motivo da paisagem na arte portuguesa contemporânea"
«A paisagem, com uma longa e complexa história na tradição da pintura ocidental, tem uma função simbólica que foi mudando ao longo dos últimos séculos. Se a reconhecemos, pelo menos desde o Renascimento, como motivo de enquadramento e até de acolhimento de cenas religiosas e mitológicas que nela se representavam, ilustrando, tantas vezes alegoricamente, os conhecimentos da época sobre o fenómeno da representação a partir da invenção da perspectiva. Sabemos também que a sua presença foi evoluindo ao longo do próprio desenvolvimento desta descoberta histórica, tornando-se por excelência a forma de demonstração e de prova de uma crença quanto ao domínio progressivo dos homens sobre a Natureza.
Seria então necessário que a Revolução Industrial, alastrando a partir de Inglaterra, trouxesse uma profunda transformação política, social, económica e cultural para que, no ocidente, surgissem os primeiros sinais de uma dúvida quanto às certezas depositadas nessa fé persistente posta na racionalidade e nas explicações apenas racionais dos fenómenos do mundo. Foi neste quadro mental de acelerada transformação, aberto por uma crise que levaria muitas décadas a dissipar-se que, a partir de finais do século XVIII, emergiu, com crescente importância, o pensamento de Kant. Provavelmente o filósofo que mais contribuiu para a invenção de uma outra noção, absolutamente inovadora, quer da subjectividade, quer do modo como esta intervinha no plano das representações do mundo. E será nesse contexto estético, cultural e mesmo espiritual, que uma reconsideração das representações da paisagem viria a ter lugar. Caberá ao Romantismo a defesa desta ideia.
A paisagem, e assim se viu reafirmada a concepção estética de Kant, perdia em representação de verdade o que ganhava em dimensão subjectiva, decorrente da interpretação que cada artista lhe trazia, evidenciando os signos da projecção da sua sensibilidade individual. Assim, quando no fim do século XIX os Impressionistas fizeram da paisagem directamente inspirada na Natureza uma forma de interpretação, que divergia conforme o olhar individual, abriam o caminho a uma cada vez maior liberdade dos artistas em aceder a uma espécie de verdade individual, singular, subjectiva, capaz de tornar a arte o lugar de exprimir sentimentos, também eles centrados no próprio artista.
Este encaminhamento para uma cada vez maior presença da subjectividade na interpretação dos sinais do mundo teria como inevitável consequência a abertura a formas cada vez menos naturalistas. E onde antes era o exterior que os artistas procuravam beber a sua inspiração, com o Modernismo tornar-se-á a dimensão interior aquela que mais interessará representar na arte. Nessa perspectiva, a pintura de paisagem irá perdendo, aos poucos, espaço e peso na história da cultura do século XX. Em Portugal a pintura de paisagem manteve, até tarde e ao longo desse período, algum sucesso de público e mesmo favorável recepção crítica. Fazendo-se sentir na obra de alguns artistas que, apesar da sua objectiva integração no Modernismo, não quiseram entender esta via como de sentido único. Do mesmo modo que não quiseram ver na abstracção a única forma capaz de dar à arte uma expressão de sentido mais universal. Mesmo que, evidentemente, este levantamento de quase três dezenas de artistas portugueses operando ao longo de sucessivas gerações não seja exaustivo e, como tal, não nos dê a abrangente riqueza de um panorama completo da arte portuguesa das últimas décadas, ele será suficientemente esclarecedor de uma situação e, em particular, de uma abordagem plural a um tema que, apesar de todas as transformações na arte ao longo dos tempos, não excluiu o género da paisagem, através do qual a cultura ocidental continua a interrogar o seu modo de relacionar Natureza e Cultura.»

Bernardo Pinto de Almeida
Curador



 
   
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Imprensa

"Centros culturais atraem visitantes...",
TV Globo / Bom Dia Rio
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"Arte portuguesa na Linha do Horizonte
",
Público / Caderno P2
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"Portugal mostra ao Rio arte contemporânea",
Meia Hora

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"Linha do Horizonte - o motivo da paisagem na arte
portuguesa contemporânea"
,
Plataforma.pt
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"Rio de Janeiro expõe obras de 25 artistas portugueses",
Diário de Notícias

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"Artistas nacionais reunidos em mostra no Rio de Janeiro",
Jornal de Notícias

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"Artes plásticas: A paisagem portuguesa..." ,
Expresso Online
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"Arte contemporânea portuguesa: evolução...",
Público Última Hora
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"Artes plásticas: A paisagem portuguesa...",
RTP Online


LINHA DO HORIZONTE
Curadoria de Bernardo Pinto de Almeida
Inauguração: 5 de Maio, segunda-feira, 19h
De 6 de Maio a 15 de Junho de 2008

CAIXA
Galerias 2 e 3
de terça a domingo, das 10h às 22h
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