Residência comunitária “Como se alimenta uma aldeia?”, 18 julho a 18 agosto, Calde (Viseu)

Fotografia: Liliana Silva
Entre 18 de julho e 18 de agosto de 2026, a Binaural Nodar desenvolve, na aldeia de Várzea de Calde (freguesia de Calde, concelho de Viseu), um novo trabalho de investigação e criação dedicado à gastronomia local, em mais uma parceria com a antropóloga e artista sonora uruguaia Ana Rodríguez.
O projeto propõe-se escutar e registar os saberes, os gestos e as memórias associados à alimentação na aldeia, dando continuidade a uma linha de trabalho que a Binaural Nodar tem vindo a consolidar ao longo dos últimos anos.
Esta incursão pela gastronomia surge na sequência de outros projetos que já haviam abordado o tema da alimentação de forma indireta, através de diferentes entradas: as plantas, em “Plantas Faladas” (2019); os percursos de emigração e do regresso à aldeia, em “Ecos da Ida do Retorno” (2022); e uma planta específica do mundo rural de montanha, em “A Carqueja no Quotidiano de Várzea de Calde” (2025). “Como se Alimenta uma Aldeia?” assume agora a alimentação como tema central, procurando compreender de que forma comer, cozinhar e partilhar mesa moldam a identidade e a vida comunitária de Várzea de Calde.
O trabalho procurará escutar as temáticas da alimentação ao longo do ciclo do ano, tal como se viveu no contexto de subsistência das comunidades rurais da região de Viseu até há cerca de meio século, com uma dieta assente nos produtos da época, num contexto de autossubsistência. Trata-se de reconstituir, através da memória oral, os ritmos sazonais do cultivo e da conservação dos alimentos — o que se comia em cada altura do ano, consoante o que a terra dava, e como se guardava o suficiente para os meses mais difíceis.
Esse modelo de subsistência, sustentado pelos produtos da época e pelo que a aldeia produzia, viria a ser progressivamente alterado por fenómenos que se cruzam e se reforçam mutuamente: a globalização e a chegada do comércio às aldeias e às cidades mais próximas, que trouxeram novos produtos disponíveis durante todo o ano, já não apenas na sua estação, e novas formas de consumo; as transformações sociais motivadas pela emigração, com o regresso de tantos que partiram para a Suíça, a França, o Luxemburgo, o Canadá ou a Venezuela e trouxeram consigo outros hábitos e paladares; e, mais recentemente, a influência da própria indústria mediática, que passou a moldar os desejos gastronómicos das pessoas, muto para além do que a aldeia produz e come.
O projeto articula-se ainda com “Paisagens, Vozes e Sabores da Comunidade Ucraniana de Viseu”, aproximando duas comunidades que, à primeira vista, pouco parecem ter em comum, mas que partilham um elo simbólico revelador: Várzea de Calde é uma aldeia portuguesa onde o linho artesanal continua a ser trabalhado, e na Ucrânia o linho é o tecido nacional por excelência, presente nas célebres camisas bordadas de padrões tradicionais usadas, inclusivamente, pela comunidade ucraniana residente em Viseu. É a partir deste diálogo entre fios e sabores, que se prepara uma exposição conjunta sobre a gastronomia da Ucrânia e de Várzea de Calde, a inaugurar no final do ano no Museu do Linho de Várzea de Calde.
“Como se Alimenta uma Aldeia?” conta com as parcerias locais do Município de Viseu, da Junta de Freguesia de Calde e da Associação de Ucranianos em Viseu, e está integrado no projeto internacional Rede Tramontana, financiado pelo Programa Europa Criativa da União Europeia. Este enquadramento confere ao trabalho desenvolvido em Várzea de Calde e com a comunidade ucraniana de Viseu uma dimensão que ultrapassa a escala local, inserindo-o numa rede europeia de cooperação cultural.
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Artista convidada: Ana Rodríguez
Documentação da residência: Ana Margarida Ferreira, Nely Ferreira e Luís Costa
Parcerias locais: Município de Viseu, Junta de Freguesia de Calde e Associação de Ucranianos em Viseu
Cofinanciamento: República Portuguesa - Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes e União Europeia, no contexto do projeto Europa Criativa Rede Tramontana.
LOCAIS, DATAS E HORÁRIOS
18 de julho a 18 de agosto 2026, das 10h00 às 19h00
Aldeia de Várzea de Calde (Calde, Viseu)
