Congresso do projeto "Quando Vem a Taciturna De Limiar em Limiar O Presente Frágil", 1 e 2 setembro, Porto
© Rui Oliveira
Após um ciclo de reflexão desenvolvido ao longo de três seminários, o projeto "Quando Vem a Taciturna De Limiar em Limiar O Presente Frágil", de Hugo Calhim Cristóvão & Joana von Mayer Trindade, culmina com a realização de um Congresso, nos dias 1 e 2 de setembro de 2026, na Sala de Reuniões 1 da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Reunindo investigadores, artistas e pensadores de diferentes áreas do conhecimento, o Congresso propõe um espaço de encontro, reflexão e diálogo em torno das questões que atravessam o projeto, aprofundando as relações entre filosofia, criação artística, corpo e pensamento contemporâneo.
O programa contará com intervenções de Celeste Natário, Carlos Pimenta, Cláudia Marisa, Cristina Aguiar, Ezequiel Santos, Rui Lopo, Mário Correia, Nuno Matos Duarte, Elter Manuel Carlos, Afonso Becerra, Armando Nascimento Rosa, Madalena Xavier, Ana Coimbra Oliveira, Paulo Azevedo, Sofia Vilar Soares e Carlos Barradas.
Ao longo dos dois dias, o Congresso dará continuidade ao percurso de investigação e reflexão desenvolvido pelo projeto, promovendo o cruzamento de diferentes perspetivas e saberes e abrindo novas possibilidades de diálogo entre as artes, a filosofia e outras áreas do pensamento.
SINOPSE
“Como dançar sobre ruínas, exumar arqueologias estupradas, em comunhão exalando e destilando melancolias e nostalgias? Um palimpsesto a sangrar, bordado em nervos de resistência? Como metamorfose e presença frágil irrompe uma hypokeímenon poética no âmago da phýsis, um eidos evanescente entre o devir e a imutabilidade, kairós que tremula a Taciturna. Presença telúrica que mutila e acaricia movendo-se de limiar em limiar com a ferocidade de um espasmo, coito em sussurro com o vazio que ascende, abraço em voo e invasão sutil, ruptura tangível, lâmina de erupção surda, chama refletida em água, punhal que rasga e cega as línguas da pele com ternura, morde músculos segundo a segundo. Convulsiona limiares-feridas onde o presente se desagrega, se multiplica em centopeias de medo, ser-para-a-morte, ser-para-o-gozo, entrelaçado de circunvoluções que se violam uma a uma, regurgitando e vomitando com violência o frágil vazio do agora. Duplo sentido de tempo e dom, o presente é uma oferenda precária que se devora na voracidade, na fúria suavizada por melancolia que amarra e lambe momento a momento o instante e o fim. O eterno conflito entre passado, presente e futuro, apenas um orgasmo ontológico que de encruzilhada em encruzilhada confronta e excita a finitude. O presente frágil macera-se em profanações com a consciência dilacerada de uma flor decapitada com os dentes. Dança-se entre limiares – entre ser e não-ser, desejo e vazio, vida e morte, a transitoriedade uma carne amada e estilhaçada que revela a beleza do caos que nunca volta para trás. De limiar em limiar, a dança dá a parir momentos irrepetíveis não canceláveis pelo terror, metamorfoseando urgência apocalíptica em sobrevivência sobre os cadáveres, transmutando fragmentos em infinitudes vulneráveis, colapso em ressureição, fim como génese. A criação invoca as Mahavydias, deusas ferozes da sabedoria impura que dói e que ri, Fernando Pessoa delirando "Oriente a oriente do Oriente", Camilo Pessanha exalando melancolia entre lençóis de linho, Al Berto destilando medo em éter poético, Paul Celan invocando a "Canção de uma Dama na Sombra". Lamento que perdura quando se cala para sempre, cordas que na ausência vibram mais e mais. Quem ressurge das cinzas?” (Hugo Calhim Cristóvão & Joana von Mayer Trindade)
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Direção, Coreografia, Dramaturgia e Formação Hugo Calhim Cristóvão & Joana von Mayer Trindade| Dança e Interpretação Sara Miguelote, Lucia Marrodan, Ethel Desdames e Marta Pieczul| Desenho de Luz Luís Ribeiro | Figurinos UN T | Cenografia NuIsIs ZoBoP & UN T | Sonoplastia Paulo Costa & NuIsIs ZoBoP | Desenho de Som João Oliveira & NuIsIs ZoBoP | Teoria e Filosofia Hugo Calhim Cristóvão, Joana von Mayer Trindade, Celeste Natário, Carlos Pimenta, Cláudia Marisa, Cristina Aguiar, Ezequiel Santos, Rui Lopo, Mário Correia, Nuno Matos Duarte, Elter Manuel Carlos, Afonso Becerra, Armando Nascimento Rosa, Madalena Xavier, Ana Coimbra Oliveira, Paulo Azevedo, Sofia Vilar Soares e Carlos Barradas | Vídeo Os Fredericos| Fotografia Alípio Padilha, João Peixoto, Rui Oliveira, Leonel de Castro e Luís Ferreirinha | Produção Executiva Cristina Aguiar & NuIsIs ZoBoP | Coproduções: Casa das Artes de Famalicão, Centro Cultural Vila Flor – Guimarães, Teatro Stephens – Marinha Grande, Oficina Municipal do Teatro – Coimbra, Teatro Municipal de Bragança – Algures a Nordeste Festival de Dança Contemporânea, Teatro-Cine de Pombal / Casa Varela – Centro de Experimentação Artística, Fábrica da Criatividade — Castelo Branco e DDD - Festival Dias Da Dança | Apoio : Teatro Aveirense, Teatro Rosalía de Castro, Corunha | Residências Artísticas Casa Varela – Centro de Experimentação Artística, Kale/Armazém 22, Centro de Criação do Candoso / Fábrica Asa – Guimarães, Teatro Viriato – Viseu, Casa Museu Afonso Lopes Vieira – Marinha Grande, Teatro Aveirense, Centro de Criação e Investigação NuIsIs ZoBoP – Porto.
BILHETEIRA
Inscrição obrigatória e gratuita através de: producaoexecutivanuisis@gmail.com
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA
M/14
MAIS INFORMAÇÕES
Apoio: República Portuguesa - Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
