Exposição "Un ben konta-bu un stória" (Cerâmicas do Mundo – Cabo Verde), pela Oficinas do Convento, 30 outubro [inauguração], Centro Cultural de Cabo Verde, Lisboa
CERÂMICAS DO MUNDO – CABO VERDE é um projeto cultural e de intercâmbio artístico que explora a tradição da olaria. Na continuação da primeira edição – Cerâmicas do Mundo – Índia; esta nova edição integra residências artísticas, atividade aberta ao público, um documentário e uma exposição.
Artistas convidados
António Garcia – CV Luís Lopes – CV Virgínia Fróis – PT
Enquanto território insolar, em Cabo Verde a partida e o regresso, são desígnios de uma vida. O almejado “sair” e o sonhado “regresso” comandam o ritmo da vida e a casa tem neste contexto uma carga simbólica que ultrapassa a materialidade das quatro paredes: está profundamente associados ao afeto, ao refúgio emocional, à pertença à terra (nos terra) e à nostalgia (sodade) da partida ou do regresso.
A cultura do habitar e o arquétipo da casa, com o lugar de partida e de chegada, de abrigo e acolhimento, de trabalho e de intimidade representam o lugar no mundo, onde nos enraizamos não importa quantas viagens façamos e quanto tempo essas viagens comportam. No trânsito das vidas a casa vive nas memórias do lugar, do espaço imaginado que o desejo de regresso recria. Os objetos fundamentais fazem parte deste vínculo e carregam simbologias que ultrapassam a “coisa”, ganhando significados afetivos e laços de pertença.
Na tradição cabo-verdiana a olaria e a panaria são elos fundamentais na imaginação do abrigo, da casa de acolhimento de quem partiu e sonha com o regresso. O pote, o moringo, o binde e o pano di terra estão no centro da memória colectiva do lugar onde se regressa ou regressará um dia. O brinquedo reproduz o arquétipo da casa em miniatura que transmite desde a infância a ligação umbilical ao meu lugar no mundo.
No contexto da residência Cerâmicas do Mundo, sob o tema objetos de habitar a olaria e a tecelagem complementam-se na abordagem ao espaço da casa e às memórias que nele habitam. Assim, a memória da casa/ espaço germinal é a matéria criativa e o saber fazer da olaria e da tecelagem são as ferramentas para a sua exploração.
Os resultados serão mostrados na exposição Un ben konta-bu un stória, no Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa.
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Este projeto é produzido pela Oficinas do Convento com curadoria de Ana Marta Clemente (Plataforma Voador).
MAIS INFORMAÇÕES
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