"Um adeus mais-do-que-perfeito", pela Companhia de Teatro de Almada, 16 janeiro a 1 fevereiro, Teatro Municipal Joaquim Benite

"Um adeus mais-do-que-perfeito" © Pedro Castanheira
A mãe de Peter Handke suicidou-se quando tinha 51 anos. Para tentar lidar com o acontecimento traumático, o escritor austríaco fez o que sabia fazer melhor: escrever. UM ADEUS MAIS-QUE PERFEITO foi escrito durante dois meses no Inverno de 1972 e consiste numa viagem pela história da sua família: a vida dura dos avós no campo; a determinação da mãe em escapar àquele pequeno mundo opressivo; o riso do amor e a desilusão do desamor; um casamento abusivo; a solidão que sentia na casa onde ocupava os seus dias tomando conta dos filhos. A história da mãe de Handke é, ao mesmo tempo, a história da Europa Central: assistiu ao surgimento do nazismo, atravessou a II Guerra Mundial, e viveu a austeridade e o sofrimento que se seguiram.
No espectáculo, dois actores dão voz às inquietações de PETER HANDKE. O texto era originalmente um romance, mas Teresa Gafeira quis imediatamente levá-lo para o palco: “Costuma-se dizer que um texto para funcionar em teatro tem de ter conflito. Aqui existe conflito entre o indivíduo que, à partida, tem condições para ser qualquer coisa, para ter qualquer coisa, para se desenvolver na sua plenitude, e, depois, as circunstâncias anulam-no, começam a afectá-lo, até atingirem neste caso o cérebro e até levarem ao acto do suicídio”, explicou a encenadora. “Neste caso, o conflito é entre uma mulher e as suas circunstâncias”.
Depois de assistir à estreia deste espectáculo, no último Festival de Almada, o crítico espanhol Afonso Becerra escreveu o seguinte: “Handke escreve para atenuar a dor mas, como ele mesmo assinala, não o consegue. Escreve tentando descrever a mãe e aproximar-se dela, mas também não o consegue. Eis a tensão dramática deste texto que não é directamente um texto dramático, mas um romance: a procura da mãe, a aproximação dificílima, a descrição não edulcorada literariamente do terrível e da dor excruciante”.
LOCAIS, DATAS E HORÁRIOS
16 de janeiro a 1 de fevereiro 2026
(quinta, sexta e sábado, às 21h; domingo, às 16h)
Teatro Municipal Joaquim Benite
Avenida Professor Egas Moniz, s/n
Almada
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Texto PETER HANDKE
Tradução (gentilmente cedida pela editora Relógio D’Água) CARLOS LEITE
Adaptação PEDRO PROENÇA
Encenação TERESA GAFEIRA
Cenografia e Figurinos SÉRGIO LOUREIRO
Desenho de Luz GUILHERME FRAZÃO
Música e Desenho de Som DANIEL MENDRICO
Vídeo LÍDIA OCTÁVIA, DANIEL MENDRICO, SÉRGIO LOUREIRO
Voz e Elocução LUÍS MADUREIRA
Interpretação DUARTE GUIMARÃES, PEDRO WALTER
Imagem ©Pedro Castanheira
Vídeo © Bruno Gonçalves
BILHETEIRA
de quarta a sábado das 13h30 às 22h30
domingo das 13h30 às 19h30
917 433 120 / 212739360
bilheteira@ctalmada.pt
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CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA
M/14
MAIS INFORMAÇÕES
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