Exposição «re:collection», de YEONSU JU & LENIKO SENNOMA, 29 e 30 maio, Lisboa

Artes visuais
Exposição «re:collection», de YEONSU JU & LENIKO SENNOMA, 29 e 30 maio, Lisboa

Yeonsu Ju & Leniko Sennoma, re:collection (2026)

DESCRIÇÃO:
A Zaratan tem o prazer de o(a) convidar para re:collection, uma exposição dupla em formato popup que apresenta o trabalho dos atuais artistas em residência Yeonsu Ju e Leniko Sennoma. O projeto justapõe as pinturas em camadas de Ju com a instalação cinematográfica de Sennoma para examinar o peso da memória. Ambas as práticas partilham a crença fundamental de que a memória se estende para lá da experiência individual, existindo antes como um arquivo herdado
que se preserva através do ritual coletivo e do arquétipo psicológico. Yeonsu Ju trabalha com óleo sobre linho, construindo superfícies estratificadas onde as figuras emergem e se dissolvem sem resolução. Enraizadas no Gijesa, um ritual ancestral coreano no qual os mortos são homenageados através de uma refeição cerimonial, as suas pinturas reimaginam a tela como um lugar de invocação. As figuras que retrata não estão totalmente presentes nem totalmente ausentes — pairam num plano temporal intermédio, suspensas entre a chegada e o desaparecimento. Para Ju, a pintura não é representação, mas sim encenação: um ato devocional e disruptivo através do qual a perda ganha, brevemente, uma forma. Leniko Sennoma trabalha no campo da instalação fílmica, baseando-se na teoria do inconsciente coletivo de C.G. Jung, em estruturas alquímicas e na linguagem simbólica do folclore. Informado pela sua própria experiência de transição de género, o seu trabalho aborda a transformação não como um processo linear, mas sim como um confronto com o que já habita em nós — as imagens arquetípicas e os padrões míticos que precedem a experiência individual. A instalação cria um espaço onde a fronteira entre o pessoal e o coletivo se dissolve, e onde a transição se torna algo a atravessar e não a resolver. Juntas, as suas práticas colocam a mesma questão a partir de tradições distintas: o que carregamos dentro de nós que nunca foi apenas nosso? Ambos os artistas recorrem a sistemas antigos — ritual e arquétipo, cerimónia e símbolo — reorganizando-os numa nova forma temporal. Nenhum dos dois oferece uma resolução. Ambos sustentam a tensão daquilo que não pode ser totalmente apreendido.

A exposição é complementada por uma conversa com os artistas Yeonsu Ju e Leniko Sennoma no dia 30 de Maio, às 17h00.

Sobre os artistas:
YEONSU JU investiga a ausência, a memória e o amor através da pintura, entendida como um espaço onde as condições filosóficas e emocionais são testadas em vez de resolvidas. Influenciada pela noção de Bataille sobre o desejo como um movimento em direção ao sagrado através da transgressão, Ju investiga as fronteiras instáveis entre o eu e o outro, a presença e o desaparecimento. Esta indagação envolve uma vontade de dissolver a separação — desdobrando-se no interior do espaço pictórico. O trabalho parte da estrutura ritual dos ritos ancestrais coreanos (Gijesa), reimaginados como um espaço psicológico onde a ausência pode ser momentaneamente encontrada. A pintura torna-se uma forma de cerimónia: um ato de luto, de invocação e de chamamento daquilo que ainda não apareceu. As figuras emergem como entidades errantes dentro de campos estratificados de memória — expandindo-se e contraindose, chegando e recuando, nunca inteiramente fixas. Recentemente, Ju estendeu este compromisso com a figuração através de uma abordagem diagramática informada por uma interpretação do cone de memória de Henri Bergson. A geometria funciona não como um sistema rígido, mas como um meio de mapear a fluidez da memória: planos, vetores e formas fragmentadas cruzam-se com o corpo, sugerindo múltiplas temporalidades que coexistem em vez de se resolverem. Estes elementos ecoam gestos rituais — repetitivos e simbólicos — onde a disposição se transforma em significado. Cada obra estrutura-se através da Figura (Ator), do Gesto (Ato) e do Fundo (Mesa). Ju posiciona-se simultaneamente como anfitriã e convidada, construindo e habitando estes espaços. Através da repetição, do apagamento e da rutura controlada, as pinturas tornam-se lugares onde o sagrado, o proibido e o efémero convergem — retendo o significado numa instabilidade contínua. | https://yeonsuju.com/
LENIKO SENNOMA é uma pessoa artística trans não-binária baseada em Berlim, que trabalha na interseção entre o cinema e a instalação. Os seus trabalhos exploram as fronteiras entre a realidade e o sonho, abordando temas do feminismo interseccional e do desmantelamento da opressão sistémica. Combina técnicas de sonho lúcido e simbolismo arquetípico para questionar o status quo da sociedade de informação neoliberal. A sua arte é uma busca contínua por possibilidades de libertação coletiva e pela criação de colaborações políticas. Ao desenvolver uma linguagem audiovisual-metafórica que trabalha com a sincrese da imagem, do som e da estética material, cria ambientes hipnóticos que parecem simultaneamente delicados e misteriosos. Influenciada por estudos em epistemologia, filosofia teórica, feminista e analítica, bem como em teoria do cinema, a sua obra joga com a consciência do espectador, gerando um amplo espectro de associações e emoções. As instalações de vídeo e curtas-metragens de Sennoma têm sido exibidas em inúmeras galerias, museus e festivais em vários continentes, incluindo a Zilberman Gallery (Berlim, Alemanha), Gallery 062 (Chicago, EUA), Gallery SA-KURA (Nagoya, Japão), Festival de Cinema Inflamável (Santa Catarina, Brasil) e no Internationale Kurzfilmtage Oberhausen (Alemanha). O trabalho de Leniko Sennoma é produzido no âmbito da Residência Zaratan com o apoio financeiro da União Europeia (#CultureMovesEurope). |
@eyes_without_gaze

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FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA:
Artistas: Yeonsu Ju e Leniko Sennoma
Direcção Artística: José Chaves e Gemma Noris
Mentoria da residência: Pedro Gramaxo
Assistência técnica: João Pedro Branco
Documentação: Nuno Direitinho
Apoio: A residência de Leniko Sennoma é apoiada pela União Europeia e pelo Goethe-Institut, através do programa Culture Moves Europe. A Zaratan é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes

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LOCAIS, DATAS E HORÁRIOS DE APRESENTAÇÃO:
Zaratan – Arte Contemporânea, Rua de São Bento 432, 1250-221 Lisboa
Open Studio | 29-30 de Maio de 2026, 16h00 – 20h00
Artist Talk | 30 de Maio de 2026, 17h00

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INFORMAÇÕES SOBRE BILHETEIRA:
Acesso gratuito

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CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA:
jovens – adultos

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ACESSIBILIDADE (DO ESPAÇO OU DA OFERTA ARTÍSTICA):
As atividades públicas realizam-se no piso térreo da Zaratan, o que permite o acesso à galeria a pessoas com mobilidade reduzida.

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LINK PARA SITE (DA ENTIDADE BENEFICIÁRIA DE APOIO):
www.zaratan.pt