"A Noite dos Visitantes" (coprodução Teatro da Rainha e Teatro das Beiras), 20 a 24 janeiro, Caldas da Rainha

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"A Noite dos Visitantes" (coprodução Teatro da Rainha e Teatro das Beiras), 20 a 24 janeiro, Caldas da Rainha

© Paulo Nuno Silva

"A Noite dos Visitantes", de Peter Weiss, com encenação de Fernando Mora Ramos, vai ser apresentado entre 20 e 24 de janeiro, no Grande Auditório do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, numa coprodução entre o Teatro da Rainha e o Teatro das Beiras. O espetáculo conta com as interpretações de Fábio Costa, Hâmbar de Sousa e Tiago Moreira (Teatro da Rainha), Benedita Mendes, Miguel Brás e Sónia Botelho (Teatro das Beiras). O dispositivo cénico é de Fernando Mora Ramos, iluminação de William Alves, criação sonora de Tiago Moreira, figurinos de Rafaela Ciríaco da Graça, operação de som e execução de instrumentos musicais de João Nuno Henriques.

Entre os dias 20 e 23 serão apresentadas sessões para as escolas, às 15h, e nos dias 23 e 24, às 21h30, as sessões serão dedicadas ao público em geral. 


"A Noite dos Visitantes" estreou na Covilhã e por lá andou em digressão cumprindo uma dúzia de datas em diferentes freguesias do interior beirão. Esteve em cena, sempre com auditório lotado, na ruína da Antiga Casa da Cultura, nas Caldas da Rainha, durante uma semana consecutiva, percorrendo posteriormente uma mão cheia de freguesias caldenses. Espectáculo para todas as idades, esta peça popular escrita em verso é uma parábola divertida, mas séria, da guerra entre impérios.

Diz Fernando Mora Ramos, encenador de “A Noite dos Visitantes”: «Esta peça popular, escrita em verso e traduzida – na verdade, uma versão – pelo Mário Barradas nos anos setenta, é uma parábola. Esse é um motivo de interesse maior: praticar uma estética que se opõe à literalidade, desde logo nas falas, à cópia naturalista do real, gerando na comparação, através de um desvio narrativo (uma analogia) o que é o termo da comparação. Fazê-lo entre referências ao kabuki, ao teatro de guignol, ao circo e ao trabalho clownesco, mais nos afasta desta peste contemporânea que é a representação em registo de novela, afundada na irrelevância sobrevalorizada e na psicologia culinária, mole e destituída de potência de ignição enérgica para o jogo dos actores, de energia motivadora de atenção. A história é elementar: dois “visitantes” (dois homens armados, dois exércitos) entram por uma casa camponesa dentro (um país), ocupando-a e fazendo da família (mãe e dois filhos) reféns, enquanto o pai, que ao elencar tudo aquilo que tinham para lhes dar, falou de ouro escondido num cofre, sai e vai supostamente desenterrá-lo no canavial. A fenómenos semelhantes temos assistido, forças ocupantes e povos massacrados, sejam as razões geoestratégicas ou apenas materiais, de esbulho imediato, metais raros, petróleo, lítios, etc… Saímos há uns anos da guerra fria e estamos em plena guerra quente – a contabilidade dos mortos não cessa de crescer perante a nossa impotência, passividade, e as forças imperiais mantêm a “paz planetária” num inferno constante.»


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