José Anjos toca Charles Bukowski em "Diga 33 - Poesia no Teatro", 20 janeiro, Caldas da Rainha

Música
José Anjos toca Charles Bukowski em "Diga 33 - Poesia no Teatro", 20 janeiro, Caldas da Rainha

Alcoólatra, vadio, proxeneta, obsceno, viciado, machista, são alguns dos epítetos com que o norte-americano Charles Bukowski foi brindado ao longo da vida. Quisemos começar 2026 com ele, não por ser norte-americano, nascido fora da América, como tantos outros, nem pelos agnomes que dele fizeram um dos malditos mais populares da literatura produzida durante o século passado. Quisemos começar com ele por vislumbrarmos na sua escrita desbocada uma vontade de mandar o mundo às malvas, o mundo dos hipócritas, o mundo dos usurários, o mundo dos agiotas, dos avarentos, dos tartufos, dos velhacos, dos pérfidos, dos criminosos que governam este mundo cada vez mais distópico. A poesia é também um lugar no mundo que nos permite estar fora do mundo, um lugar de liberdade livre, como queria Rimbaud, e Bukowski se encarregou de pôr em prática. 
   
Dia 20 de janeiro, às 21h30, a voz de Charles Bukowski ecoará na Sala Estúdio do Teatro da Rainha sob a música de José Anjos, poeta, diseur, músico com vasta experiência nos terrenos em que a linguagens poética e musical se cruzam. Será este um momento de experimentação em que se fará uso do que a tecnologia hoje permite em matéria criativa contra o que com ela se confecciona em matéria destrutiva. 
   
Charles Bukowski nasceu na Alemanha em 1920, embora tenha crescido e vivido durante cinquenta anos em Los Angeles. Publicou o primeiro conto em 1944, dedicando-se mais recorrentemente à poesia a partir dos trinta e cinco anos de idade. Morreu em 1994, aos setenta e três anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance: “Pulp”. Viu publicados em vida quase cinquenta livros de prosa e poesia, entre os quais volumes de contos, crónicas, romances. É um dos autores americanos mais conhecidos a nível mundial, possivelmente também pela aura maldita e marginal que expôs numa obra fortemente autobiográfica que tem no alter ego Henry Chinaski a sua principal criação. Tem vindo a ser publicado em Portugal por várias editoras, estando todos os seus romances, dentre os quais “Correios” (1971) foi o primeiro, disponíveis em língua portuguesa. Em 2018, a editora Alfaguara publicou, com tradução de Rosalina Marshall e organização de Valério Romão, a antologia poética “Os cães ladram facas”.

José Anjos (1978) foi advogado durante doze anos, dedicando-se agora às actividades de escritor, diseur, músico e programador. Participa em vários projectos como baterista (não simão, A Favola da Medusa), guitarrista (Poetry Ensemble e mao-mao) e diseur (Lisbon Poetry Orchestra, No Precipício era o Verbo, Navio dos Loucos, O Gajo). Publicou os livros de poesia “Manual de Instruções para Desaparecer” (2015, Abysmo), “Somos contemporâneos do impossível” (2017, Abysmo), “Uma fotografia apontada à cabeça” (2019, Abysmo), “O escultor de pássaros livres” (2021, Nova Mymosa), e “Exorcismos de estilo” (2023, Paper View Books). 


LOCAIS, DATAS E HORÁRIOS

20 janeiro 2026 | 21h30
Sala Estúdio do Teatro da Rainha
Caldas da Rainha


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