"Besta & Fúrias", 11 abril, Fundação Gramaxo, Maia

A Besta nasce de uma reflexão inspirada no 9º círculo do inferno de Dante Alighieri. Não como espaço físico, mas como imagem simbólica de um território interior onde aquilo que é reprimido ganha forma. Como um retrato de Dorian Gray, torna visível aquilo que preferimos ocultar.
Em contínua transformação desde 2019, a peça começou como uma figura construída em madeira revestida por matrizes de cobre e zinco gravadas. A estrutura apresenta-se agora em vigas de ferro, assumidas como o esqueleto visível da Besta, elementos estruturais que evocam simultaneamente suporte e construção, integrando uma mecânica rotativa na zona dos braços, cujo movimento circular evoca simultaneamente um carrossel e um gesto ritual de repetição. Corpo, armadura e máscara confundem-se numa figura híbrida, situada entre o humano e o monstruoso.
No interior da criatura habita Viagem ao Centro da Terra, composta por matrizes de cobre montadas num motor que as faz girar num movimento contínuo, criando um espaço de deslocação e transformação no interior da própria escultura.
A obra propõe uma reflexão sobre o corpo como lugar onde se inscrevem experiências individuais e coletivas. O corpo surge como campo de confronto, espaço onde se revelam limites e formas de opressão, mas também onde se tornam possíveis a resistência, a denúncia e a afirmação. A insistência do gesto e a repetição do movimento tornam-se modos de dizer e de permanecer, como um trabalho paciente que se constrói, se desfaz e recomeça, onde cada experiência singular se reconhece num destino partilhado.
Besta e Fúrias nasce também de uma prática de criação cúmplice entre mulheres. A escultura-instalação é construída em colaboração com Marta Ribeiro(joalheira), e a sua ativação performativa convoca a harpista Angélica Salvi e a intérprete Costanza Givone, que interage fisicamente com a estrutura. Entre escultura, som e corpo, a obra torna-se um dispositivo vivo onde matéria, gesto e presença se entrelaçam, revelando uma rede de cumplicidade feminina onde vozes singulares se encontram e se reconhecem. Cúmplices de uma conspiração de que não sabem nem as regras nem o objectivo.
Título:
Besta e Fúrias
Artista:
Ana Torrie
Ano:
2019–2026
Descrição:
Escultura-instalação
Colaboração:
Marta Ribeiro (joalharia de autor, desenvolvimento de elementos metálicos)
Quaresma e Jonas (construção)
Performance / Ativação:
Angélica Salvi (harpa, composição sonora)
Costanza Givone (interpretação e interação performativa)
Produção:
Fundação Gramaxo, Turbina, Atelier Guilhotina
LOCAIS, DATAS E HORÁRIOS
11 abril 2026, 15h30
Fundação Gramaxo - jardim do Museu
Rua Conselheiro Costa Aroso, 601
Maia
A Fundação Gramaxo integra a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC)
