"Inferno", de Filipe Crawford, 18 abril, Cine-teatro de Estarreja

© Ana Ferreira
"Da autoria de Felipe Cabezas, Inferno conta a vida tragicómica de Tristano Martinelli, notável ator italiano que criou a personagem de Arlequim em Paris nos finais do século XVI. A obra centra-se no processo criativo de Martinelli, numa Europa conservadora, com um renascimento ainda atrasado, atormentada por guerras, peste e fome. Aqui, o nosso Martinelli reivindica o Primeiro Arlequim. O autêntico. A sua criação representa uma juventude abandonada à própria sorte. Uma juventude que tem que reinventar-se para sobreviver. Uma juventude viciada pela imagem e pela superficialidade. O Arlequim de Martinelli não é um Arlequim piegas e adocicado pela pastelaria cortesã, nem um boneco de caixa de música, nem um criado mascarado desprovido da dor que acompanha a miséria. Este Arlequim é um pobre diabo que vem do inferno, que conheceu a fome e a miséria, e que agora quer rir. Martinelli venderá o seu corpo e a sua alma, em troca de fama e fortuna, a este ser bufão zombeteiro, que com as suas risadas e piruetas o vai levar ao mais alto sucesso. O ator conta-nos a sua história, terrena e infernal, desde o limbo, eterno e infinito, até aos seus últimos dias.
O espetáculo é produzido, encenado e interpretado por Filipe Crawford que regressa a este autor de quem já produziu e representou A última noite do Capitão, estreado em 2017 e ainda em repertório. Filipe Crawford tem um percurso teatral ligado ao teatro de máscaras e à Commedia dell’Arte tendo-se especializado na representação de monólogos. Os primeiros que representou, A História do Tigre, O Primeiro Milagre do Menino Jesus e Outras Histórias, As Aventuras de João Padão à descoberta das Américas e O Santo Jogral Francisco são da autoria de Dario Fo. O ator produziu e representou também um monólogo adaptado da obra de Roland Dubillard, autor francês do teatro do absurdo, Confissões de um Fumador. Ultimamente Filipe Crawford interessou-se pela obra de Felipe Cabezas e pelas suas tragicomédias sobre a vida de ilustres atores de Commedia dell’Arte, que, para além da recriação deste género teatral, revelam um contributo essencial para a História do Teatro Europeu. O espetáculo tem estreia marcada para o dia 26 de fevereiro de 2026, no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, com o apoio da Escola da Noite, na semana em que se festeja o Dia Internacional da Commedia dell’Arte. O espetáculo, que poderá ser apresentado juntamente com outras atividades que se centram sobre a temática da Commedia dell’Arte, como, por exemplo, um Workshop sobre este género teatral, assinala também os 50 anos de carreira de Filipe Crawford. Concebido para a itinerância, este projeto tem já apresentações previstas para Lisboa, Porto e Leiria (integrando o Festival Acaso de 2026)".
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FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Autoria: Felipe Cabezas
Encenação original: Berty Tovias
Música: Marco Chiaperotti
Tradução, adaptação e interpretação: Filipe Crawford
Figurinos: Sofia Santos
Máscara e adereços: Filipe Crawford
Desenho de Luz: Felipe Cabezas
Assistência de Encenação: Daniela Almeida
Fotografia de Cena: Ana Ferreira
Produção: Filipe Crawford Produções Teatrais
Duração: 75 minutos
Género: Tragicomédia
LOCAIS, DATAS E HORÁRIOS
18 abril 2026, 21h30
Cine-teatro de Estarreja
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA
M/12
