A Oliveira Milenar, pela Marionetas de Mandrágora, 21 junho, Gondomar

Artes performativas
A Oliveira Milenar, pela Marionetas de Mandrágora, 21 junho, Gondomar

DESCRIÇÃO:
Uma casa amarela foi erguida num monte a perder de vista e a família que vive dentro está ameaçada pela construção de uma estrada. Há um espaço que começa a ser esventrado com um pó qualquer de ínfima esperança, que é o que nos faz continuar — apesar do horror. Nesta casa, todos veem a mesma coisa de forma muito diferente. E isso afasta — e também aproxima. É um lugar de contrastes. O amor dá lugar à desolação, o nevão dá lugar ao fogo. Há a dor individual daquela família e há um suposto progresso coletivo na construção de uma estrada que liga dois pontos antes afastados. Esta casa é, para os construtores da estrada, um espaço anónimo. Para quem nela habita, a casa é o seu lar; a estrada é que será o espaço anónimo.

Esta história é cíclica e provoca abissais desencontros. Eu sinto uma experiência de uma forma e não entendo a forma como tu a sentes. Há muitas forças de poder que manietam as ações e abrem espaço à desumanização.

A oliveira milenar tem uma aparente imobilidade e raízes bem assentes face às alterações do espaço e do tempo — o nascimento da casa amarela, a passagem ou a permanência de pessoas. O universo feminino é o centro; há doenças que se tentam curar nas mulheres, como a visão dupla. Quando arrancamos uma planta, vemos as raízes, a interrupção. Mesmo a raiz de um dente: na raiz fica a ausência do que antes foi inteiro. O que é essa ausência numa pessoa desenraizada?

A narrativa é apresentada através da Oliveira Milenar, com constantes atropelos de personagens, como quem quer contar melhor o seu ponto de vista, tentando captar a polifonia do romance. Temos todos muitas vozes na nossa cabeça — as nossas, as dos outros e o seu contrário. E estas vozes tendem a ser contraditórias.

Há avanços e recuos não lineares e um mergulho no inconsciente e na loucura, entre o real — será o real a alucinação de cada um? — e o irreal. Dançamos entre o exterior e o interior. Por um lado, o concreto exterior (até no seu duplo sentido, o de betão); por outro, o devaneio emocional e interior nas cabeças daquela família. Andam entre o sono, o sonho, a vigília e um real difícil de compreender. Com amplitudes emocionais: momentos de festa, de intensa alegria, momentos em que se ama e em que se magoa. As coisas partem-se, quebram-se; estilhaçam-se objetos e ilusões. Procura-se uma primeira ternura, a raiz a que voltar.

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LOCAIS, DATAS E HORÁRIOS DE APRESENTAÇÃO:
21 JUN 2026 . DOMINGO 16h00
Auditório Clotilde Mota — Banda Musical de Melres
Gondomar, Porto

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INFORMAÇÕES SOBRE BILHETEIRA:
entrada livre

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CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA:
maiores de 12

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LINK PARA SITE:

www.marionetasmandragora.pt