Associação Alfaia promove a residência artística "Beijamento" dirigida a jovens artistas

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Associação Alfaia promove a residência artística "Beijamento" dirigida a jovens artistas
[candidaturas até 28 agosto]

Estão abertas até 28 de agosto as candidaturas para a Residência Artística "Beijamento" promovida pela associação Alfaia entre 6 e 23 de outubro, em Loulé.

A iniciativa visa estimular os processos criativos e o desenvolvimento de jovens artistas (entre os 18 e os 30 anos) residentes em território nacional, disponibilizando uma bolsa e apoios nas vertentes de curadoria e produção. A associação proporcionará espaços e equipamentos, e facilitará a investigação e a aprendizagem partilhada durante a residência. Após uma primeira fase presencial de cerca de três semanas a decorrer na associação (6 a 23 de outubro), e de uma segunda fase de trabalho à distância (onde os residentes, a partir dos seus locais de residência, continuam o trabalho iniciado no período presencial), a residência culminará numa exposição final, entre fevereiro e abril de 2027, na Galeria Praça do Mar, em Quarteira, no espaço das Galerias Municipais de Loulé.

Os resultados das candidaturas serão conhecido até ao dia 10 de setembro.
Os contactos para esclarecimento de dúvidas são alfaia.org@gmail.com ou alfaia.producao@gmail.com.

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Beijamento

Entre corpos, territórios e futuros

(pela Associação Alfaia)

Partindo do Algarve enquanto território historicamente marcado pela circulação de pessoas, mercadorias, culturas e saberes, esta residência convida jovens artistas a explorar o território algarvio e investigar as múltiplas camadas que moldaram e continuam a moldar esta região.

Situado entre o Atlântico e o Mediterrâneo, entre a Europa, África e o Médio Oriente, o Algarve constitui um espaço privilegiado, um ponto de contacto, para pensar questões de mobilidade, fronteira, pertença, tradução cultural e convivência. "Beijamento" propõe uma reflexão sobre os espaços físicos, culturais, políticos e simbólicos onde diferentes comunidades, identidades, memórias e formas de vida se encontram, coexistem, entram em tensão e se transformam mutuamente. O conceito é aqui entendido como a definição do cruzamento de narrativas distintas e a marca onde memórias são preservadas ou apagadas, onde identidades são negociadas - um beijo como um espaço de conflito, resistência e adaptação.

Como na geometria, onde o beijamento designa o ponto exacto em que corpos se tocam sem se dissolverem uns nos outros, esta residência propõe observar o limiar do toque que transforma sem apagar.

Num momento marcado por deslocações humanas sem precedentes, crises ambientais, desigualdades económicas, reconfigurações geopolíticas e persistências coloniais, a residência propõe uma reflexão sobre os modos como habitamos territórios atravessados por diferentes histórias e relações de poder.

No contexto algarvio, estas questões assumem particular relevância. A herança islâmica, as ligações históricas ao Norte de África, os processos coloniais e pós-coloniais portugueses, os movimentos migratórios contemporâneos, o turismo global, a pressão sobre os recursos naturais e a crescente diversidade cultural da região Algarvia fazem dela um laboratório privilegiado para pensar as complexas relações beijantes.

A residência procura acolher propostas que explorem criticamente estas interseções e tracem linhas de tensão, por proximidade ou afastamento, presentes no território e nas suas comunidades, explorando a própria duplicidade que o título encerra: a lógica exata da geometria e as liberdades da paixão.

 

 


Data de publicação: 20.07.2026