Projeto "O Mapa das Indomesticadas, um herbário radical" cruza arte, ciência e ecologia

Residência Artística
Projeto "O Mapa das Indomesticadas, um herbário radical" cruza arte, ciência e ecologia
7 → 27 setembro

"Indomesticadas" . © Carlota Lagido
 

Entre 7 e 27 de setembro, Linha de Fuga acolhe, em parceria com o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, a primeira residência artística de "O Mapa das Indomesticadas, um herbário radical", projeto de longa duração concebido e dirigido por Carlota Lagido, que cruza criação performativa, artes visuais, música e investigação botânica.

Partindo da observação do mundo vegetal, o projeto investiga as relações entre corpo, natureza e território, colocando artistas da dança, performance, música e artes visuais em diálogo com especialistas em botânica, arquitetura paisagista, herbalismo e ilustração científica. Ao longo da residência, a equipa desenvolve práticas de trabalho de campo — identificação e mapeamento de espécies, herborização, desenho, escrita e observação sensorial — que alimentam cadernos individuais, entendidos simultaneamente como herbários metodológicos, arquivos do processo e partituras dramatúrgicas. Na sala de ensaio, estes materiais transformam-se em corpo, movimento, voz, desenho, vídeo e paisagem sonora.

A residência integra dois momentos públicos que permitem acompanhar a investigação a partir de diferentes perspetivas.

No dia 16 de setembro, às 18h, no Centro Cultural Penedo da Saudade, apresenta-se a Conversa com a Academia | Desdomesticar o olhar, que reúne Carlota Lagido e o investigador e botânico João Farminhão. A conversa cruza arte, ciência e ecologia para questionar os modos como conhecemos, nomeamos e organizamos o mundo vegetal: o que acontece quando deslocamos o olhar para as espécies espontâneas e silvestres, para aquilo que resiste ao controlo e para relações ecológicas que existem para além das formas humanas de organizar a paisagem?

O Mapa das Indomesticadas | Partilha de Processo, às 18h, no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Nesta primeira abertura pública, Carlota Lagido e a sua equipa tornam visível uma investigação que se prolongará até fevereiro de 2028. Uma planta observada no território pode desencadear um desenho, um movimento ou um estado corporal; a sua morfologia, propriedades ou mitologias podem entrar numa composição; procedimentos da botânica podem transformar-se em dispositivos performativos. Entre arte e ciência, conhecimento e experiência, começa assim a construção de um herbário radical: um arquivo vivo e necessariamente incompleto das relações entre plantas, corpos e territórios.

O Mapa das Indomesticadas, um herbário radical desenvolver-se-á até fevereiro de 2028 através de residências e trabalho de campo em diferentes territórios, dando origem a uma performance coletiva, um livro de artista e um atlas digital interativo.


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Data de publicação: 02.09.2026