Paraíso, hoje., a representação Oficial Portuguesa na 19.ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia, em 2025, é agora apresentada no MAC/CCB, de 5 de novembro de 2026 a 3 de janeiro de 2027. A inauguração, com entrada gratuita, é no dia 4 de novembro, às 19:00, e inclui uma performance de Jorge Queijo, autor da paisagem sonora Paraíso, hoje. e o lançamento do disco em vinil do projeto. Estão também previstas uma conversa no dia 14 de novembro e visitas guiadas à exposição e oficinas aos sábados (14 e 21 novembro e 5 e 12 dezembro).
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Projeto multidisciplinar proposto pela equipa curatorial dos arquitetos Paula Melâneo, Pedro Bandeira e Luca Martinucci com curadoria-adjunta da arquiteta paisagista Catarina Raposo e do videoartista Nuno Cera, comissariado pela Direção-Geral das Artes, Paraíso, hoje. esteve exposto em Veneza entre 10 de maio e 23 de novembro de 2025 e é agora apresentado como uma seleção de conteúdos no espaço do MAC/CCB.
Propondo uma reflexão crítica sobre as relações entre arquitetura, paisagem e território contemporâneo em Portugal, o projeto toma a ideia de «paraíso» como metáfora para pensar o presente. Entre utopia e distopia, natureza e construção, realidade e simulação, a exposição reúne uma instalação digital e interativa e um atlas de imagens e textos que exploram diferentes modos de habitar, transformar e imaginar a paisagem.
Em resposta ao tema Intelligens. Natural. Artificial. Collective. proposto pelo curador geral da Biennale Architettura 2025, Carlo Ratti, que desafia os projetos a enfatizar a “interconexão” da Arquitetura com diversas disciplinas, como arte, engenharia, biologia, ciência de dados e ciências sociais – Paraíso, hoje. é uma metáfora para pensar a arquitetura na sua relação com o território e o ambiente, mas também como construção cultural da paisagem. Uma instalação interativa e imersiva para o público, que utiliza as novas tecnologias e a Inteligência Artificial, e um Atlas de imagens que explora criticamente o tema proposto, vão construir a alegoria deste “Paraíso”.
Paraíso, hoje. é uma experiência multissensorial para o público, articulada segundo dois eixos de reflexão que se configuram numa Instalação e num Atlas de imagens. A instalação, um ambiente físico e digital interativo, funciona como um dispositivo tecnológico, arquitetónico e artístico. A sua génese são os vídeos de paisagens reais portuguesas de Nuno Cera. Estes tornam-se depois a base da manipulação digital, com recurso a IA, feita pelo 18—25 Research Studio que, por sua vez, alimentam a paisagem sonora composta por Jorge Queijo. Esta experiência visual e sonora, contemplativa e introspetiva, destaca a interdependência entre a construção cultural da paisagem e o coletivo.
O Atlas de imagens é uma análise aberta e coletiva do território português: propõe uma visão crítica, mas otimista, sobre o território contemporâneo, analisando a prática arquitetónica em diversas escalas, programas e tipologias de intervenção. Como parte do processo de constituição do Atlas, coletivo e participado, a equipa curatorial lançou uma Open Call em janeiro 2025, que recebeu mais de uma centena de propostas enviadas por correio postal. O público foi desafiado a enviar imagens de projetos, obras ou lugares em Portugal que pudessem contribuir para a criação do Atlas temático integrado na exposição. O Atlas, que organiza cerca de 700 imagens – das quais 36 selecionadas da Open Call –, faz parte do livro-catálogo publicado pela editora Circo de Ideias, com design gráfico de vivóeusébio, e explora diferentes formas de pensar o Paraíso na atualidade, organizado em torno de temas como: experiência, regeneração, ócio, redes, retorno, cultivo, simulacro ou ficção – estando aberto a novas interpretações que possam surgir das submissões recebidas.
Em resposta a Carlo Ratti, a equipa curatorial convida o público a “considerar que este ‘burning world’ tem, ainda assim, uma dimensão de paraíso, se tivermos em conta que vivemos num momento histórico com as condições de vida mais favoráveis que a humanidade já conheceu. No entanto, ao reconhecermos os contrastes e conflitos sociais que marcam a atualidade, torna-se imperativo valorizar o que de bom ainda possuímos, sem abdicar do compromisso de construir um futuro melhor.
No imaginário nacional, mas também de quem o visita, Portugal resume-se, metaforicamente, a um “país à beira-mar plantado” ou “jardim à beira-mar plantado”. Contudo, essas imagens ocultam as crescentes pressões sobre o litoral, causadas por urbanização descontrolada, especulação imobiliária e sobrecarga turística, e simultaneamente ignoram a realidade do interior negligenciado, marcado por perda demográfica, abandono agrícola, exploração industrial e impactos da indústria extrativa e das infraestruturas da transição energética. De forma consciente ou não, a Arquitetura tem sido cúmplice de muitos desses processos, ora de modo acrítico, ora comprometida com uma visão mais responsável e sustentável”.
Disco de vinil Paraíso, hoje.
Nesta exposição será lançado um LP em vinil que reúne a paisagem sonora de Paraíso, hoje., uma composição do músico Jorge Queijo, acompanhada por uma seleção de imagens dos conteúdos visuais da instalação da autoria do 18—25 Research Studio. Juntamente com o Atlas publicado pela Circo de Ideias, esta edição discográfica da Ouvido Falido procura prolongar a experiência da exposição para além do seu espaço e tempo, tornando acessíveis algumas das suas dimensões sensoriais, sonoras e visuais. Perante o caráter efémero da instalação, cuja experiência é única e irrepetível, e apenas possível durante o período das exposições, o vinil constitui uma forma de preservar e revisitar o seu universo, oferecendo uma nova possibilidade de contacto com o projeto.
Organização:
Ministério da Cultura, Juventude e Desporto
Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto
Comissariado:
Direção-Geral das Artes
Américo Rodrigues, Diretor-Geral
MAC/CCB
Inauguração
Quarta-feira, 4 de novembro
19:00 – Inauguração da exposição
20:00 – Lançamento de LP vinil + Performance de Jorge Queijo
Durante a inauguração, Jorge Queijo, autor da paisagem sonora de Paraíso, hoje., apresenta uma performance inspirada pelas atmosferas e territórios em transformação que vão emergindo na instalação.
Conversas, visitas guiadas temáticas e oficinas
Sábado, 14 de novembro, 15:30
Visita com equipa de curadores
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Sábado, 14 e 21 novembro, 16:30
Conversa Paraíso, hoje. com Aurora Carapinha, Filipa Roseta, José Veludo, Miguel Figueira, com moderação de Ana Luísa Soares
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Sábado, 21 novembro, 15:00
O projeto Paraíso, hoje. e a imagem por Luca Martinucci e Nuno Cera
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Sábado, 5 dezembro, 15:00
O projeto Paraíso, hoje. e a Paisagem, por Catarina Raposo e Paula Melâneo
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Sábado, 12 dezembro, 15:00
Paraíso, hoje. Visita final com equipa de curadores
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Sábado, 12 dezembro, 11:00
Oficina infantil
Participação gratuita mediante inscrição prévia através do e-mail servico.educativo.museu@ccb.pt ou do Tel: 21 361 28 00.

