RedSkyFalls fez tremer o Pavilhão de Portugal durante a inauguração oficial em Veneza

Bienal de Veneza
RedSkyFalls fez tremer o Pavilhão de Portugal durante a inauguração oficial em Veneza
Bienal de Veneza

Ph.Raul Betti Studio

A inauguração oficial do Pavilhão de Portugal aconteceu esta manhã na Fondaco Marcello, o espaço que acolhe o projeto RedSkyFalls, do artista Alexandre Estrela, com curadoria de Ana Baliza e Ricardo Nicolau.

A abertura oficial contou com cerca de 250 convidados, dos quais se destacam a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, o Diretor-Geral das Artes, Américo Rodrigues e outras personalidades como a Cônsul Honorária de Portugal em Veneza, Donatella Perruccio Chiari, o Embaixador de Portugal em Roma, Carlos Pereira Marques, a Embaixatriz, Susana Zarco, o Secretário de Estado da Arte e Cultura de Timor Leste, Jorge Cristovão, a Embaixadora de Timor Leste, Lurdes Bessa, o Diretor-Geral da Fundação EDP e do MAAT, mecenas principal desta representação, Miguel Coutinho, e dezenas de reconhecidos, artistas, galeristas, curadores, investigadores, jornalistas nacionais e internacionais, que fizeram questão de acompanhar a visita guiada à exposição orientada pelo artista e curadores. 

RedSkyFalls é um sistema cibernético que reage em tempo real à atividade sísmica planetária, convertendo-o em imagem e som. A obra revisita anomalias naturais e seres que anteveem instabilidades geológicas, como o peixe-gato Namazu no mito japonês; e traça um paralelo entre a falha que o terramoto de 1755 abriu no pensamento ocidental — dando força à ciência em detrimento da religião — e a erosão contemporânea da confiança na ciência e a crença cega na tecnologia, que abrem espaço a novos mitos obscurantistas.

Para Veneza, RedSkyFalls foi reactivada através de dados obtidos a partir de fontes congéneres europeias, ganhando uma nova função como motor das pecas-satelite espalhadas pelo espaço expositivo. A instalação transforma o pavilhão numa máquina ressonante das convulsões tectónicas, síncrona com eventos geofísicos distantes, que posicionam o visitante numa ecologia global.

Durante os sete meses de exposição em Veneza, haverá um programa paralelo para uma leitura mais vívida da instalação de Alexandre Estrela. O programa Survey On An S Wave, concebido por Marco Bene, integra conversas, concertos, happenings e projeções, ao qual um Arquivo Sísmico Portátil se irá juntar, para introduzir temporariamente outras obras e artistas, para assim abrir e fechar “fendas” em RedSkyFalls. Além disso, durante a bienal, haverá em Lisboa "um braço de Veneza" em sincronia com a Galeria Zé dos Bois (ZDB). 

A 61.ª Bienal de Arte de Veneza - que vai decorrer sob o tema "In Minor Keys" ("Em Tons Menores", em tradução livre), desenhada pela curadora Koyo Kouoh, que morreu em maio do ano passado - apresentará uma visão transformadora da arte num "sussurro poético" de resistência, introspeção e alegria perante tempos de exaustão global, segundo a organização da Bienal em Itália.

Comissariada pela Direção-Geral das Artes, a Representação Oficial Portuguesa ficará instalada no Fondaco Marcello, situado nas margens do Grande Canal de Veneza, entre 9 de maio e 22 de novembro de 2026. O público vai poder ver a exposição a partir de amanhã, dia 9 de maio.

 

→ Programa da semana inaugural >
10 de maio, domingo
PAVILHÃO DE PORTUGAL – FONDACO MARCELLO

19h30 – 22h 
Giovanbattista Tusa (conferência / performance) 
Miguel Abreu (concerto) 

11 de maio, segunda-feira
PAVILHÃO DE PORTUGAL – FONDACO MARCELLO

17h – 22h 
Arquivo Sísmico Portátil I (visita performativa por Marco Bene)

 


MAIS INFORMAÇÕES

Pavilhão de Portugal

9.05 –– 22.11.2025

10h00 às 18h00, Entrada livre

Fondaco Marcello

Calle del Traghetto

San Marco 3415

Veneza

 

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fotos: Raul Betti